"A Foto-retrato é um campo cerrado de forças. Quatro imaginários aí se cruzam, aí se afrontam, aí se deformam. Diante da objetiva, sou ao mesmo tempo: aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele de que ele se serve para exibir sua arte. Em outras palavras, ato curioso: não paro de me imitar, e é por isso que, cada vez que me faço (que me deixo) fotografar, sou infalivelmente tocado por uma sensação de inautenticidade, às vezes de impostura (como certos pesadelos podem proporcionar). Imaginariamente, a Fotografia (aquela de que tenho a intenção) representa esse momento sutil em que, para dizer a verdade, não sou nem um sujeito nem um objeto, mas antes um sujeito que se sente tornar-se objeto: vivo então uma microexperiência da morte (do parêntese): torno-me verdadeiramente espectro. O Fotógrafo sabe muito bem disso, e ele mesmo tem medo (ainda que por razões comerciais) dessa morte em que seu gesto irá embalsamar-se."BARTHES, Roland. A Câmara Clara: Nota sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2008
O Laboratório de Fotografia Experimental da Universidade FUMEC/FEA (BH/MG) é um espaço de desenvolvimento e pesquisa da prática fotográfica. Por meio de propostas experimentais, novas dinâmicas de ensino, pesquisa e extensão são construídas visando o enriquecimento do ambiente acadêmico. Este blog se apresenta como um produto desta iniciativa, com o propósito de documentar e facilitar o acesso e a divulgação das realizações do núcleo.
terça-feira, 8 de março de 2011
página 27, retratos
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Esse é a premissa para uma curadoria ou apenas um raciocínio possível?
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